Rhayssa Braz sempre estudou em escolas públicas e precisa de patrocínio para custear as mensalidades, viagem e despesas de moradia. Na foto, ela aparece com a mãe Silvia Helena dos Santos Braz.| Foto: Arquivo pessoal
Por Raquel Derevecki 22/08/2021
Aluna do ensino público desde a infância e sem possibilidade de frequentar cursinhos pré-vestibulares, escolas de inglês ou assessorias de intercâmbio, a paulista Rhayssa dos Santos Braz se aventurou sozinha na busca por uma oportunidade de estudar fora do Brasil. “Realizei 44 processos seletivos de universidades internacionais e passei em 10”, comemora a garota de 18 anos, que agora busca patrocinadores para ajudá-la.
Moradora do município de Santos, no estado de São Paulo, Rhayssa cresceu vendo a luta da família para sustentá-la e aprendeu desde cedo a valorizar o que tinha. “Minha avó chegou a ter três empregos e minha mãe passou muita dificuldade até se tornar técnica de enfermagem”, relata a jovem. Então, “como elas não tinham condições de pagar colégio particular ou cursos para mim, me incentivavam a estudar muito”.
Além disso, a garota sempre lia notícias na internet e começou a pesquisar diversos temas de seu interesse em outros idiomas. “Assim me tornei fluente em Inglês e comecei a falar um pouco de Francês e Coreano”, conta a estudante, que também lia a respeito de universidades internacionais e de como poderia concorrer a bolsas de estudo.
De acordo com ela, essas instituições têm um sistema diferente do utilizado no Brasil e exigem mais do que o resultado de uma única prova para a conquista da vaga. “Eles nos avaliam como pessoa”, afirma Rhayssa, que precisou enviar documentos, cartas de recomendação, projetos extracurriculares, redações e provas de proficiência em inglês. “E como eu não contratei nenhum profissional para me ajudar nesses processos, cometi muitos erros”.
Só que as respostas negativas que recebeu de 33 universidades entre 2019 e 2021 foram essenciais para que Rhayssa aperfeiçoasse sua apresentação. “Eu sempre perdia na parte de projetos porque meus concorrentes tinham ações extracurriculares até na NASA, mas aqui no Brasil esse tipo de projeto não é incentivado”, comenta. “Por isso, comecei a focar muito nos meus pontos fortes e a me preparar bem para as entrevistas online, tentando humanizar minhas informações”, recorda, ao garantir que o esforço valeu a pena. “Eu nem acreditei que tinha passado em 10 universidades”.
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.



0 Comentários