Quais segmentos do eleitorado têm feito Bolsonaro crescer nas pesquisas


Desempenho do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas últimas pesquisas foi comemorado pelos aliados do governo| Foto: Isac Nobrega/PR

Porto Velho, RO
- As últimas pesquisas eleitorais para Presidência da República apresentam um viés de alta para Jair Bolsonaro, que concorrerá à reeleição pelo Partido Liberal (PL). Levantamento da Quaest, encomendado pelo Banco Genial e divulgado na quarta-feira (16), mostrou o presidente com 26% das intenções de voto, três pontos a mais do que na sondagem feita em fevereiro pelo mesmo instituto – e um ponto percentual acima da margem de erro. Outras pesquisas recentes trazem um movimento semelhante.

O levantamento do Ipespe, realizado entre 7 e 9 de março, mostrou que Bolsonaro cresceu quatro pontos percentuais na corrida presidencial desde o começo do ano, passando de 24% para 28% das intenções de voto – o que também representou um aumento acima da margem de erro geral da pesquisa, de 3,2 pontos percentuais. O instituto PoderData também capturou uma variação positiva, de 28% em janeiro para 30% na segunda quinzena de março, mas dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

Essa mudança ocorreu também nas avaliações do governo Bolsonaro. Nas medições do PoderData, o índice de aprovação subiu 34%, registrado no começo de fevereiro, para 37% na primeira quinzena de março. Já a reprovação caiu de 57% para 53%.

Quem está impulsionando o desempenho do presidente

Observando a evolução dos resultados das pesquisas eleitorais e avaliação de governo por segmentação demográfica, Bolsonaro melhorou seus números entre os eleitores mais velhos, os que têm ensino superior e os que moram nas regiões Sul e Sudeste.

A avaliação da estratificação do eleitorado é difícil de fazer. As margens de erro são maiores do que o resultado geral da pesquisa, porque as amostras são menores. Para a região Sudeste, por exemplo, a margem de erro do PoderData é de 2,7 pontos percentuais, mas para o Centro-Oeste é de 6,9 pontos, por causa do número menor de eleitores que é entrevistado nesta região.

Isso pode ocasionar variações mais bruscas nas intenções de voto quando se recorta um estrato social específico para a análise, sem que haja uma melhora ou piora real das projeções de voto para um candidato. Por isso, a Gazeta do Povo observou os dados informados pelas pesquisas eleitorais do Ipespe e PoderData, que têm publicado levantamentos quinzenais, e considerou aumentos consistentes com o passar do tempo.

Segundo o PoderData, Bolsonaro está apresentando índices melhores entre os eleitores que têm ensino superior, maiores de 60 anos e votam na região Sul – nos dois últimos estratos, o presidente pontua mais do que Lula. Nestes três segmentos houve um incremento de sete pontos percentuais entre os resultados obtidos na segunda quinzena de janeiro e no levantamento mais recente do instituto, publicado nesta quarta-feira.

Houve, porém, segundo o PoderData, uma queda brusca das intenções de voto em Bolsonaro no Norte, que era de 46% em janeiro e nesta semana caiu para 21%.

As pesquisas do Ipespe também apontaram para uma melhora de Bolsonaro entre eleitores mais velhos (maiores de 55 anos) e com ensino superior. Os resultados para a região Sul também estão mais favoráveis agora ao presidente do que no começo de janeiro (+ 14 pontos), mas não se pode afirmar com certeza se há um padrão de crescimento, porque houve muitas oscilações neste grupo quando analisadas as cinco pesquisas realizadas pelo Ipespe desde o começo do ano. O instituto mostrou, porém, o que parece ser um crescimento constante de Bolsonaro entre eleitores do Sudeste e homens.

Na avaliação do presidente do Ipespe, Antonio Lavareda, Bolsonaro tem melhorado sua intenção de voto dentro dos segmentos do eleitorado que já tinham uma tendência de votar com ele. Segundo Lavareda, são eleitores antipetistas que estavam descontentes com o governo Bolsonaro, mas que estão percebendo que a disputa ficará polarizada entre o presidente e Lula.

Potencial de voto, rejeição e avaliação de governo

Na esteira desta melhora, o presidente também ampliou o seu potencial de voto. Segundo o Ipespe, os que afirmavam que votariam nele com certeza passaram de 25% para 28% entre janeiro e março, embora os que consideraram que poderiam votar nele diminuíram em um ponto (de 9% para 8%). Lula manteve os mesmos números (44%) de janeiro, aumentando em 1 ponto percentual a quantidade de eleitores que considerariam votar nele (de 11% para 12%).

Outro dado positivo para Bolsonaro é que a rejeição ao seu nome diminuiu neste período, passando de 64% para 61% – ainda assim, bastante superior à de Lula, que tem rejeição de 42% dos eleitores, segundo a pesquisa mais recente do Ipespe.

Na verificação de um cenário de segundo turno, a diferença entre o presidente e o petista também apresentou queda: em janeiro, 56% votariam em Lula e 31%, em Bolsonaro – uma diferença de 25 pontos percentuais. Em março, 53% votariam em Lula e 33%, em Bolsonaro – uma diferença de 20 pontos percentuais.

O mesmo fenômeno foi observado nas pesquisas do PoderData: desde o começo do ano, a diferença entre Lula e Bolsonaro em um eventual segundo turno caiu de 22 para 14 pontos percentuais.

De onde vem os novos votos em Bolsonaro

Enquanto Bolsonaro aumentou quatro pontos percentuais entre janeiro e março na pesquisa do Ipespe, Lula e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) caíram um ponto. Ciro Gomes (PDT) melhorou um ponto – Moro e Ciro estavam empatados em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, segundo a pesquisa de março do instituto. A melhora de Bolsonaro, porém, pode ter vindo de eleitores indecisos ou que votariam em branco ou nulo. O número de entrevistados que escolheram essas últimas opções caiu de 12% para 9%.

Analistas de política creditam esse efeito ao programa Auxílio Brasil e outros auxílios sociais do governo (como o perdão do Fies a mais de um milhão de estudantes e o vale-gás para 5,6 milhões de famílias) e ao fim das restrições da pandemia.

A pesquisa do Ipespe também mostrou que o pessimismo em relação à economia, embora ainda alto (em março, 61% acreditavam que o país está no caminho errado), estava diminuindo. Resta saber se essa tendência continuará nas próximas pesquisas, que devem ser realizadas em um cenário de inflação maior.

Metodologia das pesquisas citadas

O Ipespe entrevistou por telefone mil eleitores entre os 7 e 9 de março de 2022, de todas as regiões do país, com cotas de sexo, idade e localidade, controle de instrução, renda e recall de voto presidencial em 2018. A margem de erro máxima estimada para a amostra geral é de 3,2 pontos percentuais, embora este número possa chegar ao máximo de 8,2 pontos percentuais para o menor segmento de região Centro-oeste + Norte (menor amostra). O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela XP Investimentos e está registrada no TSE sob o protocolo BR-03573/2022.

O PoderData entrevistou, por telefone, 3 mil eleitores entre 13 e 15 de março de 2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi feito com recursos próprios, sob encomenda do próprio instituto, e está registrado no TSE sob o protocolo BR-00835/2022.

Já a pesquisa do instituto Quaest, contratada pelo Banco Genial, ouviu 2 mil eleitores entre os dias 10 e 13 de março de 2022 em todas as regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral, sob o protocolo BR-06693/2022.

Fonte: Por Isabella Mayer de Moura

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