Soja: problemas climáticos nos EUA e superinflação na Indonésia mexem com preços


Para analista da Pátria Agronegócios, possível estiagem no verão norte-americano faz mercado temer quebra de safra
Porto Velho, RO - O preço da soja em Chicago registrou alta de 7,5% em abril. No mercado interno, o aumento médio ficou em 5% no mês. De acordo com o analista de Mercado de Grãos da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, o cenário altista se deve, principalmente, a dois fatores.

“O primeiro deles é a sobrecarga na cadeia de óleos vegetais por problemas logísticos no Leste Europeu advindos da guerra entre Rússia e Ucrânia e também por restrições nas exportações de óleos vegetais refinados comestíveis da Indonésia, a maior produtora do subproduto da soja”, explica.

Segundo ele, tais retenções são causadas pelos problemas de superinflação no mercado doméstico indonésio, o que faz com que o país asiático segure esse e outros produtos na tentativa de contornar a crise. “Com isso, tivemos consequências mundo afora, trazendo essa demanda que ia até então à Indonésia para a América do Sul e do Norte”, relata.

Além disso, de acordo com o analista, o início da semeadura de soja e milho nos Estados Unidos, iniciado em abril, foi marcado pelas dificuldades da mecanização em campo por conta da alta umidade. “O norte-americano não conseguiu estabelecer um bom início de plantio, colocando medo no mercado por uma potencial nova falta de oferta, uma vez que as quebras da soja no Brasil, Argentina e Paraguai já foram gigantescas”.‘Quebra na soja argentina é oportunidade para o farelo e óleo brasileiro’

No entanto, Pereira destaca que as previsões meteorológicas para o início do verão norte-americano (junho, julho e agosto) traz um cenário de estiagem. “Agora podemos estar presenciando problemas de excesso [de chuva] no plantio, o que vai impedir a boa qualidade e o estabelecimento das culturas iniciais, e no verão, período crucial em que soja e milho transitam dos estágios vegetativos para reprodutivos, poderemos ver um problema de expansão da seca sobre o cinturão agrícola norte-americano, responsável por 80% da produção de soja e milho, o que vai trazer muita preocupação do mercado que tem a necessidade de ver uma safra cheia nos Estados Unidos”, considera.

Diante deste cenário, o mercado possui sustentação de se manter em alta. “Especialmente porque tivemos uma retração dos prêmios em abril, que deixaram a soja brasileira novamente atrativa para exportação, ou seja, soja barata para ser embarcada de curto-prazo. Assim, temos também a volta da demanda asiática por nosso produto que volta a ser competitivo diante das ofertas norte-americanas, mantendo os preços no Brasil aquecidos ao longo das próximas semanas”.

Fonte: Por Victor Faverin, de São Paulo

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