A revoada derradeira dos tucanos e a desnutrição do partido: o que aconteceu com o PSDB de Rondônia?


Se nacionalmente a sigla perdeu seu principal nome, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, hoje no PSB, regionalmente a debandada é ainda mais veemente


Porto Velho, RO – O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda histórica e de suma importância na redemocratização do Brasil, não é mais o mesmo.

Ponto.

Fato.

A partir daí, é preciso entender como a agremiação começou a se esfacelar de supetão da ponta, nacionalmente falando, às extremidades, ou seja, em cada uma das unidades federativas.

Todos os gatilhos que ensejaram no desmantelo parcial e significativo do tucanato não são palpáveis, porém, em 2016, o ninho já dava claros sinais de desalinhamento com seus princípios democráticos enraizados desde o final dos anos 80.

Quando o então candidato à Presidência da República Aécio Neves passou, de maneira reiterada, a colocar em dúvida o processo eleitoral brasileiro, semente da dúvida insana germinada até hoje por outros expoentes do Poder, vide o próprio mandatário do Planalto Jair Bolsonaro, do PL, a sigla apequenou-se, deflagrando o procedimento de autofagia, paulatinamente.

Também de cima, e mais recentemente, Geraldo Alckmin, o principal tucano até então, abandonou o barco e rumou para o PSB a fim de ser vice na chapa com Lula, do PT. Aí ficou tudo no colo de João Doria, que, para todos os efeitos, é um recém-chegado a despeito de suas conquistas pessoais.

E o efeito dominó abalroou as esferas abaixo.

Em Rondônia, a instituição perdeu nomes fortíssimos e saiu do "Olimpo". Um exemplo é a deputada federal Mariana Carvalho, que acabou nas hostes do Republicanos de Alex Redano abraçando de vez o bolsonarismo como bandeira política. Ele quer a vaga que será aberta por Acir Gurgacz, do PDT, no Senado Federal.

Há outros: seu irmão, Maurício Carvalho, ex-presidente da Câmara e vice-prefeito de Porto Velho, rumou para o União Brasil (UB), com a intenção de atuar ao lado do atual governador Coronel Marcos Rocha. Seu desejo é estar onde a irmã está, na Câmara dos Deputados.

E ainda há Laerte Gomes, ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALE/RO), deputado estadual que busca a reeleição. Gomes caiu fora do ninho e se instalou do PSD, comandado, em sua esfera local, pelo deputado federal Expedito Netto.

O pai, Expedito Júnior, outra força eletiva rondoniense, também “meteu o pé” e repousou por lá, onde, em instância superior, manda o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Com cargo, ficaram no tucanato Hildon Chaves, prefeito de Porto Velho, e o deputado estadual Jhony Paixão.

E há ainda os ex-prefeitos Carlinhos Camurça, José Guedes e Luiz Ferrari, médico de Rolim de Moura. Duas figuras importantes da Capital e uma promessa política, que pode, inclusive, dar dor de cabeça a Paixão em sua caminha pela reeleição.

Apesar de todo o déficit, o PSDB ainda teria “gordura para queimar” caso optasse pela união, convergência, enfim, regressasse ao estado original de suas percepções, como o respeito irrestrito às deliberações coletivas.

Infelizmente, o que se vê hoje é o partido afundado num enredo de novela mexicana barata, onde Guedes, completamente avesso à realidade, quer a legenda para si e sua esposa. E dizendo que a dupla é “suficiente” para a vitória. Insistindo na sanha de bater de frente com colegas para postular o assento-mor do Palácio Rio Madeira.

E esse divórcio entre o seu querer e o mundo fático só traz prejuízos.

Na outra ponta, comissionados a serviço de outros nomes ofendendo, desdenhando e sacaneando aquele que, lá atrás, servia ao município com qualidade, competência.

Logo, são farpas inúteis.

Paralelamente, alguém precisa se responsabilizar pela reprovação das contas por parte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RO), decisão que imputou aos peessedebistas a obrigação de devolver R$ 280 mil, de acordo com matéria veiculada na primeira quinzena de junho pelo site Valor & Mercado RO [clique e leia na íntegra].

Além disso, também é possível colocar na conta a decisão de última hora do partido em mudar a ata na convenção que formalizaria a federação com o Cidadania local.

A legenda de Roberto Freire, antigo PPS, até então parceira, chegou a emitir um comunicado oficial dizendo que impugnaria qualquer documento apresentado à Justiça Eleitoral sem a assinatura de seus representantes [veja também].

Essas pequenices, besteirinhas, que podem até não ser, mas soam como golpezinhos internos e mequetrefes, orquestrados sabe-se lá por quem ou por qual grupo, não servem ao histórico dos tucanos nem representam, sobremaneira, a envergadura dos nomes políticos sob sua sombra. Isto tanto ex-ocupantes de suas suas fileiras quanto os que estão lá até hoje.

Ainda há tempo de ferver a cola, juntar as penas e o bico do chão e os colocar de volta no corpo da ave institucional mais importante do País.

Fonte: Por Rondoniadinamica

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