Internacional Socialista Cuba, Coreia do Norte, Venezuela? Não, elite socialista prefere Cancún


Dirigentes socialistas reunidos em Cancún| Foto: Divulgação

Porto Velho, RO - Cuba, Coreia do Norte, Laos, China, Venezuela? Nada disso. Quando decidiu organizar um encontro entre lideranças, em outubro passado, a Internacional Socialista buscou Cancún, uma das praias mais badaladas do Caribe. O presidente do PDT, Carlos Lupi, e outro executivo do partido, estiveram lá, bancados pelos recursos públicos do fundo partidário.

O encontro da esquerda durou apenas dois dias, mas a dupla permaneceu no local por seis dias. O total dos gastos chegou a R$ 29,7 mil. Os dados constam na prestação de contas apresentadas pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O fundo foi originalmente criado para custear despesas cotidianas das legendas, como contas de luz, água, aluguel e salários de funcionários.

Em nota, o PDT afirmou que as viagens de seus dirigentes ao Caribe contemplam dias de ida e retorno, agendas da Internacional Socialista e reuniões do colegiado dos vice-presidentes, nos dias anteriores e posteriores à reunião. Mas afinal de contas, o que é a Internacional Socialista, com que frequência se reúne, e por que optou por Cancún?

“Parasitas”

Criada em 1951, com o nome Internacional Operária e Socialista, a organização concentra mais de 170 partidos de esquerda, de mais de 120 países. O ex-primeiro-ministro grego George Papandreou preside a entidade, que tem o ex-deputado gaúcho Carlos Eduardo Vieira da Cunha entre seus vice-presidentes — o primeiro brasileiro a ocupar um posto equivalente foi Leonel Brizola. O secretário-geral é o chileno Luis Ayala, que está no cargo desde 1989. Muitas das agremiações políticas participantes, incluindo o PDT, adotam em suas logomarcas a rosa vermelha que simboliza a instituição.

“Sua atual organização é originária da II Internacional, que surgiu em 1889, em Paris, a qual, por sua vez, derivava da Associação Internacional do Trabalho, na verdade, a I Internacional, e formada em Londres por Karl Marx e Friedrich Engels, em 1864”, explica o site oficial do PDT. Atualmente a sede da Internacional fica em Londres.

Entre as agremiações que fazem parte do grupo estão o Partido Socialista da Albânia, o Partido Social-Democrata da Áustria, a Frente Social Democrata dos Camarões, o Partido Social-Democrata da Croácia, o Partido Socialista da França, o Partido Social Democrata do Japão, o Partido Revolucionário Institucional do México, o Fatah, da Palestina, o Partido Socialista de Portugal e o Partido Republicano do Povo, da Turquia.

O hino do grupo é “A Internacional”, composta em 1888 pelo operário anarquista Pierre Degeyter e cuja versão em russo foi utilizada como o hino oficial da União Soviética até 1941 (confira a íntegra da letra, cujos versos incluem: “Pertence a Terra aos produtivos / Ó parasitas, deixai o mundo / Ó parasita que te nutres / Do nosso sangue a gotejar / Se nos faltarem os abutres / Não deixa o Sol de fulgurar”).

Encontros constantes

“Reuniões da direção (presidium) e dos líderes partidários ocorrem regularmente, assim como conferências sobre temas palpitantes”, explica o site oficial do PDT – que, procurado, não se manifestou, assim como a organização da Internacional Socialista. “Comitês, conselhos e grupos de estudos foram criados para o exame de temas como a paz, segurança, desarmamento, política econômica, desenvolvimento, meio ambiente, direitos humanos, América Latina, Oriente Médio, Leste Europeu, África, povos indígenas, finanças e administração”.

Além de outros encontros de menor porte, a organização já realizou 25 congressos oficiais, sendo 19 na Europa, incluindo os 12 primeiros. Em uma ocasião, o evento aconteceu em São Paulo – foi em outubro de 2003.

O evento de Cancún não foi um congresso geral, mas um encontro que reuniu dirigentes dos partidos membros da Internacional Socialista. Rendeu uma declaração oficial, que afirma: “Nossos partidos na região devem continuar fortalecendo o povo cidadão e consolidando nossos avanços eleitorais, já que contamos com propostas mais adequadas e democráticas que aquelas que são elaboradas por setores populistas de origens variadas”.

Fonte: Por Tiago Cordeiro

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