Especialista português critica reação emotiva de Gutérres na ONU e perda de credibilidade


Major general Raul Costa, quando era conselheiro militar da secretaria-geral da ONU no conflito do Kosovo - Foto: reprodução das redes sociais.

Porto Velho, RO - O major-general e juiz militar Raul Cunha, de Portugal, especialista em estratégia e conflitos internacionais, criticou nesta terça-feira (8) o comportamento do português António Gutérres, secretário-geral das Nações Unidas, no conflito da Ucrânia.

Na avaliação de Raul Cunha, que foi conselheiro militar da secretaria-geral da ONU entre 2005 e 2009, a ausência das Nações Unidas nas negociações entre russos e ucranianos reforça a reação inadequada de Gutérres após o início do conflito.

Durante entrevista ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, nesta manhã, o major-general Raul Cunha afirmou que o atual secretário-geral da ONU “reagiu mais emotivamente do que deveria” à invasão russa.

“Sua hostilidade foi notória”, disse o militar, referindo-se a Gutérres, provando “perda de credibilidade” da principal autoridade das Nações Unidas.

Raul Cunha atribui o comportamento do secretário-geral das Nações Unidas a sua formação humanista. “Ele foi da Juventude Católica, é um católico devoto”, resumiu.

Mas o problema, diz ele, é que a ONU abriu mão do seu papel mediador, fazendo surgir opções como China e Turquia.

Críticas às reações

O especialista português criticou também a atitude do governo da Ucrânia, na distribuição de armas à população e ao recomendar uso de coquetéis molotov contra carros de combate russos.

“Não me parece a atitude mais correta”, afirmou, “quando um presidente incita seu povo a morrer”. Ele argumenta que civis armados sem treinamento dequado serão alvos fáceis das forças regulares do exército russo, um dos mais bem treinados do mundo.

O major-general chama atenção para o fato de que a Rússia claramente vem realizando auto-contenção do seu avanço, a fim de evitar a ampliação de vítimas civis. E contou que os combates em Kiev não evolvem militares russos, “que ainda não chegaram à capital”, e sim gangues de ucraniana armadas pelo governo, na disputa pelo controle de áreas da cidade.

Raul Cunha reiterou críticas ao comportamento da Europa e de governos ocidentais em relação a esse conflito na Ucrânia, como já havia feito durante entrevista ao canal português RTP, que viralizou nas redes sociais.

Para ele, se armar a população é conduzo-la à morte, incitar civis a utilizar coquetéis molotov é tão perigoso quanto inútil, comparando seus efeitos a picadas de mosquitos em elefantes. Além disso, segundo ele, “não é uma atitude digna”.

O militar português lembrou que esse conflito começou a ser construído quando os Estados Unidos e a Europa ajudaram no golpe de Estado que derrubou o ex-presidente da Ucrânia, democraticamente eleito, por suas relações amistosas com a Rússia.

Fonte: DP Redação

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